A Insegurança alimentar afeta 9% da população em todo Brasil.


Por: Rita Ramos Cordeiro -  Imagem:  Mumtahina Tanni no Pexels

Segundo uma pesquisa realizada pela Rede Penssan – Rede Brasileira de Pequisa e Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional através do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no contexto da pandemia a Covid-19, 19 milhões de pessoas enfrentaram algum tipo de Insegurança alimentar no Brasil no final de 2020.

O que é insegurança alimentar?

Insegurança alimentar, além de ser a falta de acesso que as pessoas tem a alimentos regulares e permanentes, é também a substituição de alimentos ricos em nutrientes e vitaminas, por alimentos mais baratos, que a condição financeira de uma família permite adquirir.

Atualmente, mais da metade da população brasileira está nesta situação, de leve, moderada e grave insegurança alimentar.

A insegurança alimentar grave afeta 9% da população, ou seja, 19 milhões de brasileiros.

Embora seriamente impactado pela disseminação da pandemia da Covid-19, o agravamento alimentar no Brasil revelado no Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, é parte de um processo que já vem ocorrendo diante das condições precárias de vida de uma parcela significativa do contingente populacional e do aumento das desigualdades sociais.

Desafio diante da Pandemia da Covid-19
Em 11 de março de 2020, a OMS – Organição Mundial da Saúde decretou a disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) como uma pandemia, e a transmissão do vírus se espalhou rapidamente pelo mundo.

Para a maioria dos países, a redução do vírus da Covid-19 é de emergência humanitária, visto as consequências causadas aos efeitos sociais, econômicos e sanitários.

Entretanto, o maior desafio tem sido, inclusive globalmente, a adoção de medidas preventivas, , reconhecidas como eficazes, tais como o isolamento social, uso de máscaras e higiene das mãos, além de restrições coletivas de grande impacto nas atividades econômicas, sobretudo em países de média e baixa renda.

No Brasil, a disseminação do novo coronavírus tornou mais evidente as desigualdades entre diferentes realidades sociais. Para o Coordenador da Rede PENSSAN, Renato S. Maluf:

“Era previsível que a comida, tanto sua disponibilidade como o acesso a ela, viesse a ocupar o centro das preocupações e urgências no contexto de pandemia pela qual estamos passando, ao lado, e como complemento indispensável, dos cuidados com a saúde das pessoas infectadas, ou não, pelo vírus mais recente”.



Foto de Guduru Ajay bhargav no Pexels


Estatística da Fome

A fome sempre foi um sério problema a ser combatido no Brasil, porém, nos últimos anos houve um retrocesso mais acentuado que fez com que a fome voltasse a assombrar os brasileiros.

Segundo a pesquisa, a insegurança alimentar cresceu em todo o país, mas as desigualdades regionais são as mais afetadas pela fome.

O Nordeste apresentou o maior número absoluto de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, quase 7,7 milhões. Já no Norte, que abriga 7,5% dos habitantes do Brasil, viviam 14,9% do total das pessoas com fome no país no período.

Nos dados de 2020, em 11,1% dos domicílios chefiados por mulheres os habitantes estavam passando fome, contra 7,7% quando a pessoa de referência era homem.


A fome e outras carências
A fome vem acompanhada de outras carências, como por exemplo, o abastecimento irregular de água. A insegurança hídrica, medida pelo fornecimento irregular ou mesmo falta de água potável, atingiu em 2020 40.2% e 38,4% dos domicílios do Nordeste e Norte, respectivamente, percentuais quase três vezes superiores aos das demais regiões.

O abastecimento irregular de água é uma das condições que aumentam a transmissão de pessoa a pessoa da Covid-19, ocorrendo com maior frequência em domicílios e regiões mais pobres do país.

É importante ressaltar a associação entre Insegurança Alimentar e a Insegurança hídrica, principalmente na área rural, onde a redução da produção de alimentos para autoconsumo e comercialização de excedentes podem impactar o consumo alimentar dos moradores e, também, de seus rendimentos.

Como combater a fome no Brasil
É preciso combater a fome com políticas públicas de enfrentamento que sejam eficientes e permanentes.

A pandemia da Covid-19, tudo indica, segue para uma terceira onda, aumentando a desigualdade social e impactando a vida das pessoas.

O agravamento da pobreza nos grupos em vulnerabilidade social aumentam a cada dia. Mais do que nunca a solidariedade é importante no combate à fome. Sempre é possível fazer algo para contribuir para matar a fome de alguém.

Solidariedade
A solidariedade têm ajudado os brasileiros a enfrentar a fome durante a pandemia da Covid-19.

Apesar de grande parte da população estar passando por algum tipo de privação, muitas pessoas se disponibilizam a auxiliar quem passa por necessidades.

A fraternidade e caridade têm tido papel importante no combate à diferentes consequências causadas pela pandemia.

Em várias partes do Brasil, fazer o bem tornou-se essencial na vida de milhões de brasileiros.

Muitos são os exemplos de Solidariedade que comovem e incentivam à prática da fraternidade.

Ações Solidárias
Por todo o Brasil, vê-se exemplos de pessoas que passaram a contribuir de alguma forma para a redução da fome durante a pandemia da Covid-19.

São empresas, grupos de pessoas, ONGS, voluntários, que se mobilizam para ajudar pessoas em situação de Insegurança Alimentar ou algum tipo de vulnerabilidade social.

Na grave crise sanitária e econômica, o voluntariado e as boas ações têm feito a diferença quando o poder público tem falhado.
O Brasil e o mundo vivem momentos difíceis que exigem medidas efetivas de proteção social que dependem de todos nós.

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