Por: Rita Ramos Cordeiro 

Me pediram para escrever sobre gratidão e eu poderia escrever lindas palavras do quanto devemos ser gratos pela vida, pela família, pelos amigos, etc.

Mas a realidade não é tão florida assim. A gratidão é um dom difícil de se desenvolver porque se subentende que devemos ser gratos a alguém que nos prestou algum benefício, auxílio ou favor, ou que temos que ser gratos pela vida e bem que conquistamos. 

Muitas vezes o ser humano se acha merecedor do que tem, do que conquistou ou então acredita que seus amigos e família precisam estar a disposição para o que der e vier. 

O egocentrismo ainda está muito presente em nós e temos certa dificuldade em nos desapegar do nosso “eu” interior e isso nos traz grandes sofrimentos. 

A cada vez que renascemos para mais um aprendizado, Deus nos concede a convivência com a família, amigos e grupo que necessitamos para evoluir.

A semente do amor que existe em nós se desenvolve a ponto de nos desdobrarmos e nos dedicarmos integralmente a quem amamos até o dia que nos decepcionamos. 

Temos o hábito de colocar nossas aspirações em quem amamos e desejamos que eles nos amem com o mesmo fervor que temos por eles, mas quando descobrimos que nossos sentimentos não são retribuídos na mesma proporção, nos magoamos e o tombo se torna tão grande que o único sentimento que nos toma conta é a ingratidão.

O sentimento de revolta, desamor, abandono cresce como uma erva daninha no coração e ali fixa morada por muito e muito tempo. 

Ao depositar toda a vida no ser que amamos idealizando-os perfeitos, deixamos de olhar para dentro de nós mesmos para conhecer nossas próprias imperfeições. 

Quando passarmos a olhar nosso próximo com o mesmo olhar que fixamos no espelho, conheceremos o verdadeiro significado da palavra gratidão.

Aprenderemos a agradecer pela vida que Deus nos concedeu, pela família e amigos que temos em toda sua imperfeição e entenderemos que nada nos pertence, que tudo nos foi concedido temporariamente pelo Pai para nossa evolução e que o único bem que nos pertence é nosso próprio espírito. 

Este sim, moldável de acordo com nosso aprendizado, esforço e desejo de crescer.

 

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