Alma gêmea ou algema?

Muitos corações românticos e apaixonados definem a Alma Gêmea como a sendo a metade de outra pessoa, a cara metade, ou mais popularmente, “a tampa da panela” que nos falta.

O Espiritismo esclarece que não existem dois espíritos criados um exclusivamente para o outro, mas que podem ter em comum os mesmos interesses e afinidades. O espírito imortal poderá encontrar em sua trajetória evolutiva muitos espíritos afins.

A enorme bagagem espiritual que temos ao longo dos séculos nos ensina que nossa família espiritual é enorme e que aumenta ao longo de nossas existências como encarnados e desencarnados.

A pergunta 386 do livro dos Espíritos nos esclarece sobre o tema:
386: Dois seres que se conheceram e se amaram, podem encontrar-se noutra existência corpórea e se reconhecerem?

Resposta dos Espíritos: Reconhecerem-se, não, mas serem atraídos um pelo outro, sim; e frequentemente as ligações íntimas, fundadas numa afeição sincera, não provém de outra causa. Dois seres se aproximam um do outro por circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que são o resultado da atração de dois espíritos que se buscam através da multidão.
Pergunta de Kardec na questão 386-a: Não seria mais agradável para eles se reconhecerem?
Resposta dos Espíritos: Nem sempre. A recordação das existências passadas teria inconvenientes maiores do que pensais. Após a morte eles se reconhecerão e saberão em que tempo estiveram juntos.

Triste seria realmente se existissem as chamadas almas gêmeas. Não teríamos a abençoada oportunidade de a cada encarnação criarmos afinidades com espíritos que se tornariam nossa imensa família espiritual.

Não teríamos a oportunidade de vivenciar a cada nova vida, belas histórias de amor que levaríamos conosco para a Eternidade.
Incontáveis são os espíritos que aguardam no Além túmulo a nossa volta para assim, matarmos a saudade de vivências e amores fraternais.

Hoje estagiamos ao lado de irmãos de jornada que nos acompanham por séculos e temos a oportunidade de estreitar o imenso laço de amor que o Pai da Vida nos concedeu.

Temos a oportunidade de refazer erros e mal entendidos que deixamos rastros de outras vidas.

Triste seria se estivéssemos algemados às nossas caras metades e não mais nos interessasse aumentar e resgatar nossa imensa família espiritual.

Como é bela e abençoada a oportunidade que Deus nos concede de termos como encarnados os seres que amamos e que farão parte de nosso mundo espiritual.

Como é bela a oportunidade de termos no Plano Espiritual os espíritos afins que nos acompanham em nossa passagem pela Terra, nos amparando, nos guiando e nos consolando de nossos tropeços.

Nosso imenso coração comporta muitos e muitos amores e não apenas exclusivamente um e isto nos faz refletir sobre como é bela a oportunidade de aprender a conviver e aceitar as diferenças, mesmo quando há uma grande afinidade entre os espíritos afins.

Afinal, são estas experiências que fazem trilhar o caminho para nossa trajetória evolutiva.

Por: Rita Ramos Cordeiro

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