Por: Rita Ramos Cordeiro 

João olhava repetidamente para o relógio, aguardando ansioso o horário de visitas.

Há tempos aguardava aquele momento, quando conheceria sua futura família.

Há mais de dez anos naquele abrigo, sentia muita falta de ter um lar, de alguém que o amasse como um filho e pela primeira vez sairia para um encontro.

Com o tempo aprendeu que sua idade e cor de pele tornavam suas chances de ser adotado cada vez menores.

Seu coração bateu descompassadamente ao ver a chegada da assistente social que o levaria para conhecer a família que talvez o acolhesse como seu filho de coração.

Quando chegou a recepção olhou para às duas mulheres que o aguardavam.

Olhando a volta viu alguns colegas em companhia de casais, homens e mulheres, e novamente voltou seu olhar para às duas mulheres a sua frente.

Uma das mulheres se levantou da cadeira e aproximando-se de João, segurou suas mãos e timidamente o abraçou o menino, que sem jeito retribuiu o abraço.

Emocionado João vislumbrou rapidamente um futuro onde finalmente poderia ter um lar, uma família que o amasse e o amparasse.

Iniciamos este texto, ilustrando a história de João, que representa o perfil de milhares de crianças por todo o Brasil. São crianças que apenas precisam do amor e amparo de uma família.

E por família entende-se como um pequeno agrupamento de pessoas que se unem por laços sanguíneos ou de simpatia.

Sendo assim, família nada mais é que laços que se unem no amor e no afeto, onde se constituem juntos um ambiente de alegrias, lutas e aprendizado.

A Lei Divina é e sempre será regida pela vivência no amor, justiça e caridade, e as regras são as mesmas para todos os filhos de Deus, em qualquer situação.

Então, o que vale para heterossexuais, vale também para os homossexuais, casados, solteiros, etc.

Mas este conceito de família está prestes a mudar, pois, tramita na Câmara o Projeto de Lei (PL 6583/13), que define família a partir da união entre homem e mulher, por casamento, união estável.

O que acontecerá com crianças como João, que não poderão mais ter uma família, seja homoafetiva, ou pai e mãe solteiros?

Com a aprovação deste Projeto Lei torna-se cada vez mais difícil a adoção para as crianças que vivem em abrigos e esperam há anos, alguém que os adotem sem discriminação e preconceito.

E falando-se em preconceito, ainda é muito grande até mesmo na adoção, pois muitos candidatos a pais, ainda preferem escolher o perfil de seu futuro filho.

Um direito de todos, porém estas escolhas fazem com que muitas crianças não consigam ma família e passam parte de sua vida em abrigos sem conhecer o calor e carinho de um lar e consequentemente sem perspectivas de um futuro decente.

Se as pessoas soubessem dos conflitos, dificuldades, sentimentos de abandono e rejeição que passam pela cabeça destas crianças não impediriam que famílias, seja de que formação fosse, adotem.

A Lei por enquanto permite que pessoas solteiras a partir de 18 anos ou casais homoafetivos possam concretizar o sonho da adoção nos critérios da Lei.

Quantas e quantas crianças foram adotadas por casais homoafetivos ou pai, ou mãe solteiros e são pessoas de bem, e se sentem amadas e amparadas e hoje são felizes?

É fácil demais impor regras e leis, supondo-se saber o que é melhor para estas crianças, mas será que alguém perguntou a elas o que querem ou se são felizes com os pais que tem?

Será que alguém perguntou para uma criança que vive num abrigo, se gostaria de fazer parte de uma família homoafetiva, um pai ou uma mãe solteira, ou se preferiria continuar vivendo num abrigo, sem perspectiva de futuro e sem conhecer o amor de um lar?

Que a sabedoria e sensatez possa vencer esta terrível proposta de Lei, para se pensar mais nas crianças que não tem uma família e sofrem constantemente de abandono, lembrando sempre que a Justiça Divina não distingue nenhum dos filhos de Deus.

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